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Algodão agroecológico resgata tradição do “ouro branco” no interior do Ceará

O trabalho se caracteriza pelo cultivo do algodão em sistemas consorciados com culturas alimentares como milho, feijão e gergelim (FOTO: Pedro Jorge Lima)O trabalho se caracteriza pelo cultivo do algodão em sistemas consorciados com culturas alimentares como milho, feijão e gergelim (FOTO: Pedro Jorge Lima)

A 350 km de Fortaleza, no município de Tauá, região dos Inhamuns, agricultores familiares redescobriram o ouro branco. A fama do Ceará na produção de algodão é antiga. Desde o século 19 os campos cearenses serviram para atender à demanda do mercado nacional e internacional. No entanto, a fartura teve o seu declínio com a “praga do bicudo”, e a produção no interior do estado foi abandonada.

Mas, essa história está sendo reescrita por meio de uma parceria que têm gerado o desenvolvimento de uma região sem abrir mão do respeito ao meio ambiente. Tudo começou com base em um diagnóstico feito em Tauá na década de 90, que preocupava pela questão da desertificação, e chegou-se  à conclusão de que era necessário construir o Plano de Desenvolvimento Agroecológico.

Foi a partir daí que a Associação de Desenvolvimento Educacional e Cultural de Tauá (Adec) entrou em cena com a finalidade de mobilizar agricultores do município para a produção agroecológica. Neste ano, os agricultores conseguiram comercializar a produção de pluma de algodão agroecológico por cerca de R$ 8 o quilo. No mercado, o valor seria em média R$ 3. 60% da produção foi destinada à França, e o restante, comercializado no país pelas regras do comércio justo.

O trabalho se caracteriza pelo cultivo do algodão em sistemas consorciados com culturas alimentares como milho, feijão e gergelim. O solo é considerado elemento básico, sendo empregadas técnicas visando a sua conservação e melhoria. Até o controle do bicudo é feito sem o uso de agrotóxicos. Geralmente usa-se um defensivo natural extraído das folhas e sementes do nim, planta arbórea usada para fabricar defensivos orgânicos.

A oferta anual de pluma de algodão agroecológico pela Adec tem variado entre 10 e 20 toneladas. É muito pouco, considerando-se a cultura tradicional. No entanto, toda a produção tem comprador garantido, inclusive no exterior.

(Tribuna do Povo)

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