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Gentil Barreira lança livro inspirado nas férias que passava no sitio do avô em Tamboril.

Coração Sertanejo

Seja nas artes, na academia ou nos meios de comunicação, o sertão já foi olhado, traduzido e analisado nas suas mais diferentes perspectivas. São imensos espaços sem vida, desabitados que, ainda assim, guardam uma beleza visual e poética bem particular. É esse cenário, tão belo quanto triste, que o fotógrafo Gentil Barreira desbrava em Coração Sertão, lançado na noite desta quinta-feira (26) em Fortaleza.

O livro reúne fotografias tiradas ao longo dos últimos três anos em mais de 30 municípios cearenses. São garranchos retorcidos, casebres solitários, nuvens imponentes, placas envelhecidas e estradas que se perdem na paisagem.

Se perder, por sinal, foi um dos métodos usados por Gentil para encontrar imagens que o surpreendessem. De moto, carro ou bicicleta, sozinho ou acompanhado, ele saía de casa nos fins de semana sem destino certo. Apenas escolhia um rumo e seguia até onde pudesse.

gentilbarreira

Além das imagens de Gentil Barreira, Coração Sertão traz uma seleção de textos que versam sobre a seca, a chuva e as esperanças do povo que mora no interior brasileiro. Entre estudos, poemas, letras de música e trechos de romances, essa coleção de palavras reúne nomes como José de Alencar, Demócrito Rocha, João Clímaco Bezerra e Natércia Campos.

“Chegando o tempo do inverno/ Tudo é amoroso e terno/ Sentindo do pai eterno/ Sua bondade sem fim/ O nosso sertão amado/ Esturricado e pelado/ Fica logo transformado/ No mais bonito jardim”, escreve Patativa do Assaré em Cante lá que eu canto cá (1979). Todos os autores selecionados estão devidamente apresentados numa breve biografia incluída no fim do livro.

Lembranças

Em Coração Sertão, Gentil Barreira também vasculha as próprias lembranças de quando passava as férias no sítio do avô em Tamboril, a 301 km de Fortaleza. Uma das lembranças que ele cita dessa época é de como se impressionava com as transformações provocadas pela chuva naquela paisagem “ocre, seca e poeirenta”. “Fui testemunha da verdadeira transfiguração do vermelho da terra nua, do cinza das árvores, das cores cruas da seca para os novos tons de vida trazidos pela volta das águas”, descreve.

É bem verdade que muitas coisas mudaram da infância de Gentil até a atualidade. No entanto, há também características que permaneceram intocadas, como a hospitalidade, a coragem e a força do sertanejo que ainda precisa enfrentar a pobreza e as dificuldades impostas pela natureza.

Outro ponto que se preservou nesse povo, segundo o fotógrafo, é a honestidade. Desse aspecto, ele provou na carne quando, numa das viagens que empreendeu de moto, notou que havia deixado cair a bolsa com todo o seu equipamento. Dando tudo como perdido, inclusive fotos, máquina e lentes, ele voltou no mesmo percurso para ver se dava sorte e encontrava. Mais adiante, avistou uma garotinha pedindo para ele parar. “Está procurando alguma coisa?”, perguntou ela. Depois que ele falou da mochila, a garota informou que viu quando ela caiu e guardou esperando que ele voltasse. Satisfeito por recuperar seu trabalho e por comprovar que a honestidade sertaneja resiste, ele voltou, tempos depois, para presentear aquela garota com um exemplar do seu Coração Sertão.

Em entrevista à TV O POVO, ele fala sobre o livro. ASSISTA.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=RZLYmW7Zlio]

(com informações do Jornal O POVO)

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