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Falta d’água pode contribuir para mais casos de chikungunya, diz professor

As febres chikungunya e zika vírus trazem diversas preocupações para o país. Uma delas pode estar relacionada à crise no abastecimento de água em diversos estados brasileiros, que pode facilitar a proliferação do mosquito Aedes aegpyti, transmissor das duas doenças, embora não haja ainda uma comprovação científica sobre isso, diz Rivaldo Venâncio da Cunha, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e pesquisador da fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Ao participar do 32º Congresso Brasileiro de Reumatologia, Cunha disse que a proliferação do mosquito e o consequente aumento dos casos preocupam, em primeiro lugar, por que são doenças relativamente novas no país. Segundo ele, existe inclusive a possibilidade de que já estar em curso no país uma explosão do zika vírus, sem que se saiba disso. Ele explicou que isso pode ocorrer porque a zika pode ser confundida com dengue. “Pode ser que nesse 1,5 milhão de casos de dengue notificados este ano no Brasil, haja algumas dezenas ou centenas de milhares de casos que não são dengue, mas zika”, disse o professor, que estima os casos de zika entre 150 mil e 200 mil. “São aqueles casos que praticamente não tiveram febre e começaram com quadro de vermelhidão e coceira”, explicou ele, para diferenciar da dengue, cujo sintoma, em geral, é relacionado a febre alta.

Embora transmitidas pelo mesmo mosquito, a dengue e a zika vírus são provocadas por vírus diferentes. O nível de gravidade também é diferente. “A dengue, em geral, é mais grave que a zika porque a provoca a morte em maior frequência. A ação do vírus no organismo é diferente”. Só pelo sintoma não seria possível diferenciar uma doença da outra, apenas pelo diagnóstico, destacou Cunha. O problema é que o diagnóstico da febre zika não está disponível em toda a rede pública de saúde, podendo demorar até três ou quatro meses para o caso ser identificado. “Às vezes mais, até seis meses, aguardando o resultado da sorologia para chikungunya ou zika.”

Segundo o pesquisador, no entanto, isso não decorre de falha do governo, mas do fato de se tratar de doenças ainda novas no país. “Não [há falha do governo]. Nesse caso específico, não, porque é uma doença nova no Brasil e no mundo. Não há, por exemplo, kit para diagnóstico da zika em qualquer lugar do mundo vendendo no mercado. Era uma doença que ocorria em pequena escala, em pequenas comunidades rurais ou ilhas do Pacífico e que, de repente, explodiu”.

Até o final deste ano, no entanto, a Fiocruz deve lançar um kit para chikungunya no mercado. “No caso específico do chikungunya, a Fundação Oswaldo Cruz, que é uma fundação do Ministério da Saúde, está fazendo esse kit que até o final do ano deverá estar no mercado. E vai começar a ter equipe trabalhando no de zika também”, acrescentou Cunha, explicando que esses kits deverá ser distribuído para todo o Sistema Único de Saúde (SUS).

(Agência Brasil)

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