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Em Monsenhor Tabosa, professores avançam em curso sobre língua Tupy. Ensino será obrigatório nas escolas indígenas em 2016

Pioneiro no ensino da língua Tupy entre as escolas indígenas do Estado do Ceará, o município de Monsenhor Tabosa, localizado no sertão de Crateús, distante 330 km da capital Fortaleza, está prestes a concluir curso em Língua Tupy para 40 profissionais que irão atuar em sala de aula a partir de 2016. A Secretaria Municipal de Cultura em parceria com a Escola Diferenciada Povo Caceteiro irá certificar os alunos.

O curso com carga horária de 240 horas é orientado por Teresinha Pereira da Silva (Teka Potiguara), Teka é graduada em Pedagogia e Antropologia e pós graduara em Educação Escolar Indígena. Para o curso ela conta com o auxílio das professoras Sibá Potiguara e Marlúcia Potiguara.

Marlúcia explica que o curso de 10 etapas, na modalidade semipresencial teve inicio em maio deste ano e está previsto para ser concluído no próximo dia 15 janeiro. “Boa parte dos alunos são professores que já atuam em escolas indígenas, porém ainda não possuíam o curso em língua Tupy”, explica.

Um dos destaques do curso é a aluna Vanderlúcia Martins que aprendeu a cantar o Hino Nacional Brasileiro na Língua Tupy. Assim como ela outros alunos também estão tendo ótimo desempenho.

A antropóloga Teka Potiguara ressalta que o curso faz parte de uma preparação de profissionais para atender uma norma do Governo do Estado do Ceará, que torna obrigatório o ensino da língua Tupy em todas as escolas indígenas do estado a partir do início do ano letivo de 2016.

“A mais de 10 anos que os povos indígenas vinham lutando para que fosse inserida a língua Tupy na grade curricular básica educacional. Essa questão foi marcada por muitas lutas e persistência de professores e lideranças indígenas, hoje comemoramos, pois a SEDUC e o Conselho de Educação do Ceará juto ao MEC aderiu à nossa proposta, validando a inserção da disciplina nas escolas indígenas a partir de 2016”, conta a professora Sibá.

Eles encaram o ensino na grade curricular como uma necessidade, pois, muitas palavras indígenas fazem parte do cotidiano dos povos indígenas, e mesmo sem ser obrigatório já eram trabalhadas em sala de aula. “Por conta disso não tinha como o MEC dizer não para as aldeias. A língua Tupy será ministrada desde a pré-escola até o EJA”, afirma Sibá.

“60% dos conteúdos serão convencionais e 40% diversificados. Com isso os indígenas irão poder estudar melhor seu povo e sua região em vez de estudar sobre povos de outras regiões do país como a Amazônia, Pará”, etc. “A proposta é que o estudo se inicie da base, de acordo com a realidade de cada comunidade indígena”, esclarecem as professoras.

POPULAÇÃO

Em entrevista ao Portal Página Aberta, a professora e liderança indígena Teka Potiguara, informa que atualmente quase 50% da população do município de Monsenhor Tabosa é indígena, conforme pesquisa realizada recentemente por historiadores da Universidade Federal do Ceará – UFC.

De acordo com a professora existem hoje no município cerca de 6 (seis)mil índios cadastrados e outros 2 (dois) mil que foram identificados como índios e ainda não são cadastrados. Totalizando uma média de 8 (oito) mil índios, o que corresponde a quase metade da população taboense que atualmente gira em torno de 17 mil habitantes.

Os indígenas de Monsenhor Tabosa estão organizados em 4 etnias, são elas: Potiguara, Tabajara, Gavião e Tubiba Tapuia. Esses povos estão divididos em 25 aldeias localizadas em diferentes pontos do território taboense.

SAÚDE

Um dos grandes avanços dos povos indígenas em Monsenhor Tabosa tem sido na área da saúde. Hoje contam com assistência da Sesai – Secretaria Especial de Saúde Indígena, que disponibiliza equipe multidisciplinar indígena de saúde para atendimento a população; AIS – Agentes Indígenas de Saúde; Aisan – Agentes Indígenas de Saneamento Básico e 7 (sete) veículos. O trabalho ocorre em consonância com a Secretaria Municipal de Saúde.

(Página Aberta)

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