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Presidente do Sindicato Rural de Tamboril diz que mulheres do campo são guerreiras.

Jussara Dias Soares, cearense, advogada, 35 anos, filha de Mascilva Maria Dias Soares e Francisco Edmilson Soares. Casada com Chagas Marques, mãe das crianças Maria Sofia e João Lucas, é Presidente do Sindicato Rural de Tamboril há 06 (seis) anos, estando no seu 2º mandato.

Desde pequena vivenciava o envolvimento do seu pai com a propriedade da família (a Fazenda Deserto) e com a vida sindical frente ao Sindicato dos Produtores Rurais de Tamboril, o que fez despertar nela o interesse com as causas do setor. Hoje, ela divide seu tempo como advogada e como Presidente do Sindicato da cidade onde nasceu, levando programas e ações que estão ajudando homens e mulheres a se capacitarem para enfrentarem as agruras da seca no Nordeste. Por isso, ela acredita na capacitação como ferramenta importante no Nordeste semiárido. Confira nesta entrevista, suas impressões sobre o sindicalismo, os projetos e ações em desenvolvimento e que poderá ser implantado para melhorar a vida dos produtores e sua mensagem para as mulheres do campo.

1 – Jussara, como você chegou à presidência do Sindicato de Tamboril?

O início da minha vida sindical deu-se por conta do incentivo do meu pai, Francisco Edmilson, que foi presidente do Sinrural de Tamboril por 18 anos. Ainda criança eu sempre o acompanhava nas reuniões, tanto no sindicato quanto na Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará- Faec e aquilo foi despertando um interesse natural, pois via meu pai, com entusiasmo, cuidando do Sindicato, realizando ações, etc. Muito tempo depois, surgiu uma oportunidade para prestar serviço como advogada para a FAEC, o que me aproximou ainda mais da categoria, do sistema. Em 2011 assumi a presidência do Sinrural Tamboril, Atualmente estou no meu 2º mandato.

2- Qual o papel de um dirigente sindical?

Naturalmente deve ser um conciliador e, acima de tudo, ser um intérprete dos anseios da classe que representa.

3- Quantos produtores estão associados ao Sindicato de Tamboril?

Em torno de 30 associados.

4- Nos 64 sindicatos rurais do Ceará , apenas duas mulheres são presidentes, foi difícil para você assumir este Posto, houve alguma discriminação por ser mulher?

Absolutamente. Ao contrário, sempre fui bem recebida por todos. Até achava que tinha algumas desvantagens em ocupar a função, 1º por ser mulher; 2º pela minha idade , me considerava muito jovem . Então coloquei na minha cabeça que só tinha uma coisa a fazer, buscar o melhor. Embora presidente, procuro envolver a todos nas tomadas de decisões, ouvindo a opinião dos meus diretores, fazendo com que eles não tenham papel figurativo, se envolvam de fato. E isto está sendo muito tranquilo, pois todos servem com entusiasmo a classe de produtores.

5- Qual a principal atividade rural do município?

Tamboril é, naturalmente, vocacionado para a criação de caprinos e ovinos. Mas, também, predomina a agricultura de subsistência e a criação de bovinos. Encontra-se ainda a criação de galinha caipira, suínos e um pouco de apicultura.

6 – Que programas o Sindicato oferece aos produtores rurais através do Sistema FAEC/ Senar?

Atualmente estamos com o Inclusão Digital Rural, Cadastro Ambiental Rural, Sertão Empreendedor e Turmas do Pronatec. Conseguimos levar o Programa Útero é Vida, recentemente. Ainda prestamos serviços de emissão de DAPs e declaração do ITR no mês de setembro, entre outras atividades.

7- Recentemente seu sindicato levou para o distrito de Sucesso o Programa Útero é Vida, qual foi a repercussão do programa junto às mulheres? E os resultados no atendimento.

Ficamos muito felizes com o resultado dessa ação. A repercussão foi a melhor possível. O apoio da Prefeitura Municipal de Tamboril foi essencial para o sucesso do evento, disponibilizando toda a estrutura física e de pessoal. Foram 289 mulheres que realizaram o exame de prevenção ao câncer de colo do útero. O cunho social do programa permite que o sindicato preste seus serviços de maneira integral, proporcionando um dia de ação para as mulheres da zona rural, ultrapassando a simples prestação de serviço e transformando-se em um ato de valorização da mulher do campo.

8- A Fundação Cearense de Meteorologia do Ceará- Funceme, está informando que vamos ter mais um ano e seca, o que você acha que deve ser feito para socorrer o produtor?

Acredito que todos estão cientes de que um plano de ação permanente já deveria ter sido criado, até porque uma coisa é certa, o nosso clima é este e se mudar, como se está vendo, será para pior. As medidas emergenciais realizadas pelo governo, como o próprio nome diz, não devem ser apresentadas como solução. Então, como presidente representante de produtores rurais de um município localizado no Sertão do Inhamuns, que é uma das regiões mais afetadas por esta problemática, me orgulho dos produtores, que mesmo com todas as adversidades, órfãos do amparo governamental, buscam a todo custo, manter as suas propriedades produtivas. O que falta na realidade é o governo fazer o seu papel, seja com a criação do seguro-seca, seja outro projeto, desde que seja efetivamente benéfico para todos os produtores, em especial os da nossa base de representação.

9- Na sua visão, o que falta ao produtor rural no semiárido , esperando pela chuva?

Por ser uma atividade naturalmente de risco, o produtor deve estar capacitado, ter uma visão empreendedora para saber gerir a sua propriedade, buscando diminuir os riscos. Muitos ainda são resistentes às mudanças, continuam com processos de produção e criação arcaicos, o que dificulta o desenvolvimento, deixando-os dependentes completamente da chuva. Daí a necessidade de uma forte assistência técnica, seja por parte do Sistema CNA/FAEC/SENAR ou do governo.

10- Deixe sua mensagem para as mulheres do campo.

Fico feliz por fazer parte da categoria dos produtores rurais, bravos guerreiros que enfrentam no dia-a-dia as agruras de desenvolver uma atividade rural no sertão. Acredito que esta fortaleza advém da força de cada mulher, igualmente guerreiras, que juntamente com eles, tocam a rotina das propriedades. A minha mensagem é de agradecimento por elas serem fonte de inspiração para que eu continue com esta vontade de servir cada vez mais a categoria.

(Site da FAEC)

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