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Com passagens pela TV, o ator tamborilense Haroldo Serra fala sobre o amor ao teatro em entrevista ao Jornal O POVO.

Na última sexta-feira, 24 de março, foi comemorado o Dia Mundial do Teatro, mas, para Haroldo Serra, esta segunda-feira é só mais um dia para ele fazer o que já faz sempre: refletir sobre o potencial das artes cênicas. São 65 anos de dedicação aos palcos e o ator e diretor nunca se contentou em apenas realizar espetáculos. Para ele, teatro é para ser discutido, experimentado e redescoberto. Diariamente.

Em 1957, ele fundou o grupo Comédia Cearense e, desde então, não parou. Ao lado de Hiramisa Serra, sua “rainha”, Haroldo formou uma família artística e seus três filhos estão, direta ou indiretamente, relacionados ao trabalho da companhia. Não abrindo mão de discutir temas que vão de políticas públicas a orçamento, Haroldo é um autêntico apaixonado por teatro em suas múltiplas cenas.

O POVO – Como o menino de Tamboril virou um homem de teatro?

HAROLDO SERRA – Eu tinha um tio chamado Franco Cavalcante, que tinha morado em Manaus na época da borracha, quando o Teatro Amazonas contratava companhias da Europa trazendo peças e operetas. Ele gostava muito de arte, era pintor e um animador cultural. Eu mudei para Fortaleza novinho, com dois anos, mas eu sempre passava férias lá em Tamboril e, de noite, ele ficava me contando das histórias das peças que ele assistiu. Ele, inclusive, criou uma rádio com um nome pretensioso de Rádio Amplificadora, que na realidade era um autofalante na avenida, mas tinha um estúdio direitinho. Eu comecei a participar e a gente fazia lá radionovela e daí para o teatro foi um pulo.

OP – Já na adolescência, morando no Centro de Fortaleza, o que povoava seu imaginário?

HAROLDO- Eu era fissurado em cinema. Fortaleza era muito pequena e minha casa era onde hoje funciona o Banco Safra, na Major Facundo. Eu morava a um quarteirão e meio da Praça do Ferreira e lá tinha os cinemas. Dia de domingo, por exemplo, eu ia às 10 horas da manhã para o Majestic assistir os seriados, que normalmente eram de cowboy. Quando dava 14 horas, eu ia para o Cine Moderno aí, de lá, não ia nem em casa, ia direto para o Diogo para a sessão das 16 horas, que era a sessão da paquera. Os jovens iam todos. E, para encerrar, às 19 horas, eu ia para o Cine Rex, que era na General Sampaio. Eu via quatro filmes aos domingos.

OP – Dava vontade de ser ator de cinema?

HAROLDO – Eu nunca tentei produzir um filme, eu participei de muitos, mas produzir mesmo não, porque é muito caro, precisa muito investimento e através do teatro é mais fácil você conseguir montar. Mas toda a minha linha de direção é baseada em cinema. Eu faço o close do cinema no teatro, tem a técnica para fazer isso separando o ator. Eu participei de filmes como Padre Cícero, depois eu fiz Luzia-Homem e mais recentemente eu fiz Área Q e Causa Efeito.

OP – Mas, voltando ao começo da sua relação com as artes cênicas, em 1952, ao lado de B. de Paiva, Hugo Bianchi e Marcos Miranda, o senhor criou o Teatro Experimental de Arte (TEA), que fez história aqui na Capital. Qual a grande novidade que vocês representaram?

HAROLDO – A Praça do Ferreira era o point. Lá tinha os bancos determinados e isso era respeitado por todo mundo. Tinha o banco dos radialistas, que era o meu, porque eu tinha, nessa época, participado da fundação da Rádio Iracema. Mas tinha o banco dos poetas, dos aposentados, dos políticos. E, lá na Praça, foi que eu tive esse encontro com eles. A ideia dos três era fazer um espetáculo num bairro e eu quis que fosse no Theatro José de Alencar (TJA), que naquela época só recebia companhias de fora. Fomos nós que iniciamos a participação do ator amador cearense no Theatro. A evolução do teatro é natural. Antigamente, por exemplo, tinha sempre o personagem do mordomo, porque, para entrar um personagem, ele tinha que ser anunciado. Naquele tempo, a iluminação não tinha importância ainda, era só para clarear, não para iluminar. Aí a gente criou logo uma coisa muito importante para a interpretação. Na primeira peça, já abdicou do ponto, que naquela época era regra. As pessoas diziam que éramos doidos, mas deu certo. Foi uma mudança importante, porque o ritmo da interpretação era subordinado ao ponto, porque o ator ficava esperando o ponto para falar. Com a nossa mudança, isso deu agilidade à interpretação. Foi uma mudança muito positiva e fomos precursores.

OP – O grupo foi se desformando. Os outros atores foram indo embora para o Rio de Janeiro procurando oportunidades, mas o senhor quis ficar, por quê?

HAROLDO – O Teatro Experimental funcionou de 1952 a 1956 e naquela época havia uma ideia de que o cearense tinha que ir embora, achava que só indo embora ia dar certo, mas eu sempre fui muito de raiz. Éramos quatro, aí ficou só um e eu não achei ético continuar. Foi aí que eu fundei a Comédia Cearense.

OP – Por que o senhor quis colocar cearense no nome do seu grupo?

HAROLDO – Porque não havia respeito pelo artista nordestino. Eu pensei que devia fazer o contrário e impor o nome do Ceará. Minha ideia era valorizar nossas raízes. Foi proposital. Muita gente pensava que era uma adaptação da Comédia Francesa para imitar, mas não foi. Foi realmente para impor o nome do Ceará.

Na escola profissional em Tamboril

OP – Uma curiosidade é que 1957 foi também o ano em que Chico Anísio se apresentou na TV pela primeira vez e ajudou a formar essa ideia do Ceará como terra da comédia. Houve alguma confusão para o grupo com as pessoas misturando a palavra comédia nos diferentes sentidos?

HAROLDO- Muita gente confunde. A palavra comédia simboliza o teatro como um todo, não só peça de humor. Mas eu gosto muito de humor. O Molière dizia que a primeira meta de uma peça é agradar e a gente tem isso. Há grupos que têm uma preocupação em montar, para currículo, autores que sejam importantes, mas o nosso processo é diferente. A gente monta sempre visando ao público. O teatro é um tripé: público, autor e ator. Não se pode esquecer um desses elementos, então você tem que fazer sempre o espetáculo pensando na receptividade da plateia, você não pode fazer só para si. Eu já ouvi casos das pessoas dizerem que o público não estava apto para assistir alguns espetáculos, mas, não, o público é de uma inteligência fantástica. Quando você faz algo errado em cena, o público lhe poupa e quando você diz corretamente uma piada, você tem de imediato um sorriso coletivo. Eu respeito, confio e acredito na Inteligência do público.

OP- De 1957 para cá, são 60 anos de dedicação para a Comédia Cearense. Qual a maior alegria que o grupo trouxe para a vida do senhor?

HAROLDO- É ter conseguido essa continuidade. Como havia essa falta de respeito pelo teatro nordestino, nós criamos possibilidades de tentar levar os espetáculos para o Rio, São Paulo, então, quase todas as capitais brasileiras já receberam espetáculo da Comédia Cearense. E era uma produção de espetáculos ininterrupta. Com apoio do Ricardo Guilherme, fizemos um levantamento de tudo o que a gente tinha feito e observou que nunca passou um semestre sem que a Comédia não apresentasse um espetáculo. Essa continuidade é meu orgulho.

OP – O senhor, porém, foi “para o outro lado da banca” e passou a fazer parte da gestão pública de cultura quando assumiu a direção do Theatro José de Alencar. Essa experiência fez o senhor mudar o foco em relação à Comédia?

HAROLDO – Não, ao contrário. A gente teve a oportunidade de observar o trabalho de muitos grupos de fora famosos e isso nos servia de espelho. A gente começou a fazer uma análise muito mais aproximada do trabalho que se fazia no Sul em comparação com o que se fazia aqui. Para mim, foi de uma utilidade muito grande.

OP – O senhor continuou produzindo muito num período muito difícil que foi o da ditadura militar. A ditadura não atrapalhou a Comédia Cearense?

HAROLDO – Naquela época, nós montávamos dois espetáculos muito fortes do ponto de vista social, que foi o Morro do Ouro e A Rosa do Lagamar. Quando eu chegava fora do Estado, ninguém entendia como eles tinham deixado passar, mas é porque a gente enrolava eles. Para você ter noção, uma vez um censor me perguntou se eu conhecia o Sófocles, porque estavam pedindo para fazer uma peça dele e ele queria conhecer o autor. Eu disse que eu não conhecia e não sabia quem era (risos). No Morro do Ouro, tinha uma cena que a gente fazia como se fosse um pau de arara de tortura. O delegado estava interrogando um preso enquanto ele cantava aquela música “Só deixo meu Ceará no último pau-de-arara”. Eu dizia para o censor que era só música popular. A gente engava sempre.

OP- O senhor cursou direito e administração. Como essa formação te ajudou no trabalho com teatro?

HAROLDO – Em um determinado momento, eu já tinha três filhos, eu tive medo, porque cargos de teatro eram comissionados. Ser diretor (do TJA) era um cargo de confiança. Até as pessoas pensavam que eu pedia para ser diretor, mas eu nunca pedi. Toda vida que mudava o governador, eu me preparava para sair e esperava, aí eles iam me deixando, achando que eu era uma pessoa necessária na administração do teatro. Aí eu pensava que quando ficasse mais velho, ia ficar desempregado e não teria como fazer teatro. Eu quis fazer uma faculdade para fazer um concurso e aí a Hiramisa quis fazer também. Aí deu certo e passei em primeiro lugar.

OP – O retorno financeiro que o senhor teve ao longo da vida veio pelo teatro?

HAROLDO- Veio exatamente pelo concurso para o Tribunal de Contas. E como eu tinha tirado o primeiro lugar, fui chamado para ser diretor, mas não aceitei, porque eu precisava de tempo para fazer teatro. Hoje me aposentadoria devia estar três vezes mais (risos) mas eu ganho o suficiente. Mas eu tive que encontrar um forma de fazer teatro, porque infelizmente para fazer teatro no Ceará você tem que botar dinheiro do bolso.

OP – o senhor defende que o artista tem que encontrar outras formas de ganhar dinheiro?

HAROLDO – Uma vez eu fui dar uma palestra em Manaus e uma pessoa levantou a mão e falou: “Professor, eu tenho vontade de abandonar tudo e fazer teatro”. Aí eu perguntei: “Seu pai é muito rico? Você tem um emprego muito bom?”. Aí ele disse que não e eu fui logo dizendo que ele não podia abandonar. Você tem que ter uma atividade paralela de sobrevivência. A pessoa pode perguntar: “E no Rio?”. Lá, você tem a televisão, o ator ganha até para ir a uma festa de aniversário, mas aqui ninguém é convidado para coisa nenhuma. É preciso ter uma atividade paralela.

OP- O que mudou nas ferramentas de atrair o público para o teatro daquela época para agora?

HAROLDO – Eu fui em muitas peças no Rio de Janeiro e em São Paulo de atores famosos em que não houve espetáculo porque não tinha público. A Comédia nunca deixou de dar um espetáculo por falta de público. A gente criou a confiança com o público na qualidade. A preocupação com o público é fundamental. Se você faz bom espetáculo, sempre vai ter frequência. Se alguém vai a primeira vez ao teatro e assiste uma peça ruim, ele não volta nunca mais dizendo que teatro é horrível. A nossa forma de atrair público é fazer bons espetáculos.

OP – Fazer espetáculo para o público infantil é mais difícil?

HAROLDO – A gente tem a mesma preocupação com o teatro adulto. Acho que não há diferenças em termos de montagem. Você tem que ter uma preocupação com qualidade, talvez até maior, porque você vai trabalhar para crianças que não têm ainda intimidade com espetáculos. Você tem que fazer com que ela tenha muita atenção e participe, mas sem ser aquela participação forçada. A gente sempre teve preocupação com cenário e figurino das peças infantis.

OP – Investir em clássicos da Disney é um caminho mais seguro? Por que não criar novas histórias?

HAROLDO – Escrever teatro é muito mais difícil do que fazer romance, escrever conto, ensaio. Porque é possível descrever, seja uma viagem de avião ou um furacão. No teatro você não pode ser descritivo, então você tem que fazer com que o público entenda o psicológico dos personagens pelo diálogo. Isso é muito difícil. Eu fiz muitas adaptações, eu sei que sou um bom adaptador, mas nunca escrevi teatro por conta própria, somente da minha imaginação. Eu estou fazendo esses contos, mas não tem nada inventado, são baseados em histórias verídicas. Eu dou o tom de narrativa, mas não foi uma invenção minha, é uma observação minha sobre o cotidiano.

OP- Como está a situação da Casa da Comédia Cearense?

HAROLDO – Ali moravam meus sogros, a nossa ideia inicial era usar como depósito de material, mas a gente quis transformar numa casa de cultura. Nós nos escrevemos no Pontos de Cultura e ganhávamos, mas eu não renovei, porque era muito irreal, porque permitia que eu comprasse computadores, material de impressão, mas não permitia que você pagasse uma secretária, um vigia da casa, aí eu nem quis renovar. Tem a vantagem da casa ser própria e aí a gente não paga aluguel, mas paga IPTU. A gente tem sempre essas despesas. A casa continua. Sempre lá tudo é gratuito, aberto ao público. Tanto os cursos quanto a frequência. Hoje está mais com o Hiroldo, porque estava me dando muito trabalho. Ele tem um processo muito parecido como o meu. Ele também diz a frase que eu sempre digo: teatro, eu nunca vi uma coisa tão fácil ser tão difícil de fazer. É um chavão.

OP- O senhor é de uma era pré-editais. O senhor acredita que novos mecanismos podem ser criados?

HAROLDO – É um problema da gestão, de administração. Se você for depender exclusivamente do edital, você não vai fazer espetáculo se não ganhar. O meu método sempre foi diferente: eu começo a fazer o espetáculo e depois vou procurar formas de apoio e se eu não encontrar, vou tentando financiar. Ou com a possibilidade ter algum retorno na bilheteria ou arcando com o prejuízo. Se você quer fazer teatro, você tem que depender de você e do seu elenco.

OP – O senhor esteve na UTI no início deste ano por problemas nos rins. Como foi esse momento difícil?

HAROLDO – Eu aprendi a não ter medo da morte. Quando meus filhos eram pequenos , eu dizia: “Rapaz, se um menino desse morrer, eu fico doido”. Mas depois eu pensei que eu não podia ficar doido, eu teria que aprender a viver. Então eu passei a enfrentar a possibilidade da morte. Uma vez eu estava num avião e começou uma fumaça e o comandante muito inábil anunciou que tinha dito uma pane e que íamos voltar para o aeroporto. Aí foi aquele chororô. Eu tive que ficar calmo, mas também não quis mais subir naquele avião, Caravelle, não tenho medo de morrer, mas também não vou atrás da morte não. (risos). Você não pode brigar com o que você não pode transformar. Morte é irremediável: para que discutir? É igual religião, que eu também não discuto. Agora, recente, quando eu estava para sair do hospital, eu pensei: “será que isso vai atrapalhar muito para eu continuar fazendo meus teatros?”. Aí decidi escrever, aí nasceu o projeto dos contos e estou preparando para publicar, porque está com uma receptividade muito boa entre meus amigos. Estou botando no Facebook, mas todo mundo quer ver em livro.

OP – São escassas muitas das informações sobre o teatro cearense. Se fala muito que o cearense não tem apego à memória. Qual você acha que é o prejuízo disso para as novas gerações?

HAROLDO – É um prejuízo muito grande, porque o passado faz parte do nosso presente. A própria evolução depende da memória. Por isso, a comédia cearense sempre foi muito preocupada com esse problema a ponto de criarmos uma revista chama Comédia Cearense em que tudo era registrado. Quando a gente ia fazer uma pesquisa sobre grupos anteriores ao nosso, a gente não encontrava nada. Nem nos jornais, porque naquele tempo o jornal não dava cobertura a teatro. Não tinha uma cronologia certa, quando a gente ia podendo ia editando. A gente incluía um texto de autor cearense e todo o processo de trabalho do grupo. Isso permitiu que grupos de fora de outros estados, porque a revista era distribuída pelo Serviço Nacional de Teatro. E assim um baiano, um carioca tinha acesso a um texto cearense. Foi um trabalho muito importante na divulgação dos autores cearenses. O Eduardo Campos se tornou um autor nacional a partir dessas publicações.

OP – É difícil falar do senhor e da sua história sem falar em Hiramisa Serra. Como o senhor define essa história de amor que aconteceu em cima dos palcos?

HAROLDO – Foi um amor com coincidências. Quando eu conheci a Hiramisa, eu morava perto da Escola Normal e ela passava em frente da minha casa quando saía da escola. Aí começou aquele flerte. Depois eu descobri que a Hiramisa tocava acordeon, que ela participava das danças folclóricas da Escola Normal, ela era do grêmio cultural, declamava, tocava, dançava. Na realidade ela já tinha talento, então facilitou muito. Naquele tempo os pais não permitiam que as filhas mulheres participassem de teatro, a não se que fosse acompanhada de um irmão, um primo. Aí quando a gente ficou noivo, eles não puderam dizer nada. Nosso noivado foi ensaiando um espetáculo que ela estreou chamado A canção dentro do pão, de um autor cearense, o Raimundo Magalhães Júnior.

OP- Aí vocês construíram toda uma família teatral…

HAROLDO – É e isso ajudou muito, porque meu filho mais velho, o Júnior, é artista plástico, ele fazia os cartazes, os cenários. O Hiroldo tanto me ajudava em cena quanto na montagem. A gente aprendeu a fazer o próprio cenário. Acho que são essas as soluções que o grupo tem que buscar. Tipo de solução que permita que ele não dependa de editais.

OP – O senhor acha que essa arte pode perder a graça para os jovens diante desse mundão de possibilidades tecnológicas?

HAROLDO- Vai não. A televisão diz às vezes que está ao vivo. Como ao vivo se você está no se sofá e o elenco está no Projac? O teatro é a única arte ao vivo, em que você tem a reação imediata. O teatro não é considerado como comunicação de massa, porque ele não pode alcançar um número ilimitado de expectadores. Cada espetáculo terá o número que o teatro permita. Cada espetáculo nasce na hora que abre o pano e morre na hora que fecha o pano. No outro dia sempre é um espetáculo diferente. Jamais o teatro vai morrer. Você não faz teatro sozinho. Teatro é equipe e desperta amor nas pessoas, porque teatro é vida. A mentira mais bem contada é mentira teatral, porque não é nada daquilo verdade, mas é feito com uma verdade tão grande que a mentira se torna verdade.

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