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Ceará registra 136 ataques contra Correios; agências deixaram de trabalhar com dinheiro.

136 crimes contra a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), conhecida como Correios, foram registrados pela Polícia Federal (PF), no Ceará, em 2017, entre janeiro e o fim de agosto. Os dados de 2016 não foram repassados pela PF e nem pela empresa pública. Entre os crimes registrados neste ano, contra a Instituição, estão assaltos a funcionários em trabalho, a veículos transportadores de encomendas e a agências da Instituição, furtos, arrombamentos e explosões de prédios. Em uma das ações criminosas, um cliente foi morto por um tiro disparado por um assaltante.

O chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio e ao Tráfico de Armas (Delepat), da PF, delegado Francisco Martins, acredita que o grande número de ocorrências se deve à ascensão do e-commerce (comércio eletrônico, ou seja, as vendas e trocas que ocorrem a partir de dispositivos e plataformas eletrônicos), nos últimos anos, combinado com o aumento da violência geral, no País e no Estado, neste ano.

“Os Correios são uma empresa que está bem inserida na estrutura de comércio do País. A partir do desenvolvimento do e-commerce, os Correios passaram a ser integrante dessa cadeia importante. Eles transportam mercadorias, objetos de valores, como notebooks, celulares, e a partir disso passou a ter a cobiça (dos criminosos)”, afirmou o delegado federal Francisco Martins.

Para o chefe da Delepat, a Instituição não estava preparada para essa mudança de trabalho demandada pelo mundo dos negócios, mas vem tentando se atualizar e tem inserido mais mecanismos de segurança, nos últimos anos.

“Os Correios foram inseridos dentro desse negócio e a estrutura dele não estava plenamente adequada. O carteiro estava acostumado a entregar cartas, cantarolando, na rua, tranquilo, porque ninguém tinha interesse de pegar carta e selo. Mas hoje não, já transporta cartões de crédito, que tem um nicho específico (de criminosos), talões de cheque, que tem outro nicho específico. Além desses produtos que vêm pelas compras na Internet. A postura geral de procedimento tem que mudar, e vem mudando”, analisou Martins.

Interior

Segundo o delegado federal Francisco Martins, as agências do Correios localizadas no Interior do Estado chamam ainda mais atenção dos criminosos, pois, em vários municípios, a Instituição acumula atividades bancárias e acaba movimentando mais dinheiro.

“Os Correios passaram a ser correspondente postal, inicialmente do Bradesco e agora do Banco do Brasil, e passou a ter um papel muito importante nessas cidades, onde o Banco do Brasil até desativou agências. O que tem acarretado é que o Correios substituiu totalmente essas atividades (bancárias), como abertura de contas. Essa movimentação financeira passou a interessar. Claro que as agências também não estavam preparadas para exercer essa atividade, que é muito importante para a população local”, destacou Francisco Martins.

“O crime deu uma incrementada em todos os setores. Essa não é uma exceção. O que impõe, principalmente para os Correios, uma mudança de mentalidade, postura organizacional como um todo, de mais efetividade e mais atenção na questão segurança”, alertou o chefe da Delepat.

Solicitada a conceder entrevista sobre o assunto segurança, os Correios preferiram emitir nota, através da assessoria de comunicação. “Os Correios mantêm contato direto com órgãos de segurança pública do Estado e possuem parceria em nível nacional com a Polícia Federal (PF) para a prevenção e repressão de assaltos a agências. A estatal conta em sua estrutura com coordenações estaduais que desenvolvem ações de inteligência, de monitoramento e de orientação com foco na segurança dos empregados e clientes, das instalações da empresa e do fluxo postal”, explicou a Instituição.

A empresa detalhou algumas ações realizadas para reforçar a segurança e inibir as ações criminosas. “Especificamente em relação às agências, as unidades de atendimento contam com kits compostos por itens como cofre com retardo, circuito fechado de TV (CFTV) e alarme. Além disso, de acordo com uma matriz de vulnerabilidade, recebem a alocação de recursos adicionais, como vigilância armada. A empresa não divulga estatísticas sobre delitos e nem informações adicionais relativas ao processo interno de segurança para não fragilizar as ações”, completou a nota.

(Diário do Nordeste)

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