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Açudes do Sertão Central agonizam a espera de chuvas; maioria não atingiu 2% de volume

Apesar de o aporte hídrico dos 155 açudespúblicos monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) ter alcançado a margem dos 20,6% de carga, praticamente o dobro em relação a esta mesma época do ano em 2018, a situação da maioria das barragens no Sertão Centralcontinua crítica. Quatro deles estão praticamente secos e outros dois abaixo dos 2% de volume.

O Vieirão, em Boa Viagem, com capacidade para 20,7 milhões de m³, conforme dados da Cogerh, armazena atualmente apenas 0,02% de água. De acordo com o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) do Município, após cinco anos de racionamento, com abastecimento em chafarizes e o auxílio de carros-pipa, no fim de 2018 passou a ser abastecido por uma adutora com 46 Km de extensão. A cidade enfrentou cinco anos de racionamento até o bombeamento da adutora começar a funcionar.

Essa também é a situação do Açude Sousa, no município vizinho, Canindé. Apesar da capacidade para 30,8 milhões de m³, mingua com 530 mil litros, o equivalente a 1,7%. O outro açude da cidade, o São Mateus, tem o dobro de água, aproximadamente 1 milhão de m³. Juntos terão aporte hídrico para os moradores da área urbana no máximo de cinco a seis meses, explica o presidente do SAAE do Município, Francisco Rocha.

A partir de agosto os romeiros, milhares, começam a chegar à cidade para os festejos de São Francisco das Chagas. Além do atendimento a mais de 17 mil unidades, o consumo de água aumenta. A solução é a construção de uma adutora, com extensão de %4 Km, até o Açude General Sampaio. Atualmente o açude localizado no Município vizinho está com 65,7 milhões de m³, o equivalente a 20,4% da sua capacidade. A barragem pode armazenar 322,2 milhões de m³, acrescenta o representante do SAAE de Canindé.

Menos de 2%

Até o início de maio, além do Vieirão (Boa Viagem) e do Sousa (Canindé), outros três açudes do Sertão Central estão abaixo dos 2% de volume. O Salão, em Canindé, armazena apenas 0,52%; o Cedro, em Quixadá, está com apenas 1,68% da sua capacidade; O Monsenhor Tabosa, em Quixeramobim, e o Serafim Dias, em Mombaça, continuam secos.

Na mesma situação em outras regiões do Estado, somam-se mais nove: O Broco, com 0,22% e o Favelas, seco, ambos em Tauá; o Faé, em Quixelô, também seco; o Parambu, neste Município, com 1,74%; o Adauto Bezerra, 1,55 e o Madeiro, 0,53%, ambos em Pereiro; o Potiretama, nessa cidade, com 0,38%; o Castro em Itapiúna, com 0,63% e o Realejo, em Crateús, 1,18%.

Monitoramento das chuvas

De acordo com o último levantamento do Monitor de Secas, da Agencia Nacional das Águas (ANA), em março deste ano, o Ceará apresentava precipitações acima dos 250 mm no seu litoral e na região do Cariri. No Centro do Estado os volumes totais ficaram entre 150 a 200 mm, com anomalias negativas justamente na sua área mais central.

As maiores chuvas acumuladas no ano no Estado até esta sexta-feira (3) foram registradas em Amontada, 2.172 mm; Moraújo 2.106 mm; Granja 2.054 mm; Acaraú 2.032 mm; Fortaleza 2.010 mm; Ibiapina 1.982 mm;  Itarema 1.887 mm e Paraipaba 1.884 mm.  Os dados são da Funceme.

(Com Diário do Nordeste)

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