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Tamboril: Famílias passavam fome e se alimentavam de restos de comida encontradas no lixo

Muitas pessoas ainda vivem em situação de vulnerabilidade social no município de Tamboril. São famílias que sobrevivem apenas com os recursos do Bolsa Família, ou em muitos casos, nem isso. A maioria vivem na fila do desemprego e infelizmente as políticas públicas que poderiam ajudá-las a sair dessa situação, quase não existem.

Vivendo e passando fome, duas famílias que se encaixam nesse perfil de extrema pobreza, procuraram nesta sexta-feira (21), a direção da Rádio Feiticeiro Fm para pedir ajudar. Daiane Dias Araújo Lima, 21 anos, mãe de uma menina de 2 anos e Beatriz de Sousa Pereira, 21 anos, mãe de três filhos, narraram a triste situação de conviver diariamente com a fome.

“Ontem eu fiz uma garapa de água e açúcar e dei pro meu filho pra vê se ele passava a fome e dormia, mas não deu pra matar a fome e ele chorou até dormir” disse uma das mães. Segundo ela, a situado da família é triste e desanimadora. O marido não encontra emprego e eles vivem apenas com o dinheiro do Bolsa Família ou de algum bico que surge.

“Tem dias que a gente vai nos comércio pedir biscoito vencido, arroz vencido, aquilo que eles não ‘vai’ mais vender, pra gente poder comer e matar nossa fome.” diz a outra mãe de três filhos. Com os olhos cheios de lágrimas, ela diz que faz isso porque não tem outra opção e não vai roubar para dar comida aos filhos.

As duas famílias moram em barracos de taipa as margens da Rodovia Brigadeiro Sampaio, na saída de Tamboril para Catunda e vivem em condições desumanas, sem ligação de água, luz e sem banheiro. Um dos imóveis quase cai por cima da família. Os companheiros das duas, usando água e barro conseguiram reerguer a parte defeituosa e voltaram para dentro do local, que mesmo com pouca estrutura e o que lhes restam.

Elas disseram que almoçam na Cozinha Comunitária que é mantida pelo município. “O almoço é certeza, mas na maioria das vezes não comemos nada de noite. Quando é feriado e no fim de semana, a cozinha é fechada e nossa situação piora mais ainda” diz Daiane.

Ao saírem para pedir um prato de comida, são humilhadas, chamadas de “vagabundas, e mortas de fome.” Esse tipo de tratamento acontece inclusive em algumas repartições públicas, informaram.

Em participação ao vivo no Jornal A HORA DA VERDADE, elas contaram aos ouvintes a situação a qual estão submetidas. Uma delas disse que essa semana o companheiro de uma delas trouxe comida achada no lixo para casa “Era o que a gente tinha pra comer, tem dias que não temos escolha” ressalta.

A ação social promovida pela Feiticeiro Fm para ajudar as duas mães, contou com a doação de alimentos por parte dos ouvintes. Dezenas de pessoas foram até a emissora. A manifestação de solidariedade foi gratificante. Um agricultor que veio trazendo feijão de uma localidade próximo a sede, disse que a história lhe comoveu e o pouco que ele tinha, estava repartindo com aquelas pessoas necessitadas.

A todo instante mensagens chegavam no whatsapp da rádio. Dezenas de ligações, inclusive de pessoas de outros estados que nos acompanham pela internet diariamente. Tamborilenses que foram embora de sua terra, pela falta de emprego e oportunidade. Dezenas de alimentos chegaram até a emissora. Foram isso, muitas pessoas que não puderam ir a emissora, entraram em contato e se disponibilizaram em ir deixar na casa das famílias.

Ao final do programa, uma das crianças estava agarrada sorridente a um saco de cereal. O sorriso largo e feliz, nós transmitia e expressava que a fome, companheira de todos os dias, daria uma trégua com a ajuda dos nossos ouvintes.

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Feiticeiro Fm

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