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UFC realização colação de grau para formandos de Crateús

Nascer em uma família humilde, percorrer diariamente cerca de 40 quilômetros para frequentar a escola, ter uma gravidez precoce. E, ainda assim, receber o diploma de graduação em uma instituição federal de ensino aos 20 anos de idade. Histórias assim acontecem quando o esforço individual encontra uma política pública inclusiva e uma universidade que gosta de sonhar junto. E sonho que se sonha junto, como ensinou Raul Seixas, é realidade. Foi assim com Heliana Rodrigues de Souza, um dos sete estudantes que colaram grau no Campus da UFC em Crateús, nessa quinta-feira (25).

“Não sou o que sou apesar da escola pública e do filho que tive aos 19 anos. Sou o que sou por causa da escola pública e do meu filho”, orgulha-se Heliana, enquanto segura nos braços o pequeno Henry, de apenas 1 ano e meio. Ela diz que suas experiências na vida pessoal, juntamente com tudo o que viveu ao longo dos últimos quatro anos na UFC, a tornaram uma mulher mais humana

A mãe de Heliana, dona Helenita Rodrigues, conta que, poucos dias após ter o bebê, Heliana já estava novamente frequentando as aulas no campus. “Às vezes eu trazia ele para ela dar de mamar. Outras vezes, ela deixava o leite em casa para eu dar”, relembra. “Foi muita luta. Para mim é uma conquista muito grande, uma satisfação ver minha filha se formando. Fico muito emocionada”, diz, com os olhos cheios de lágrimas. 

Amigo de Heliane e orador discente da cerimônia, Alisson Torquato ressalta que o espírito de grupo, “quebrando a barreira do individualismo”, foi essencial para o êxito da turma. Durante a gravidez e o pós-parto de Heliana, ele e os colegas iam até a casa dela para estudar juntos. “Sempre estudamos em grupo, sempre nos apoiamos. O maior ensinamento que eu tenho da UFC, além da excelência do ensino, é essa questão da união, tanto com os professores quanto com os alunos.” Colaram grau estudantes dos Cursos de Ciência da Computação, Engenharia Ambiental e Sistemas de Informação.

SERTANEJO QUE FAZ CIÊNCIA – Conhecendo de perto a histórica aflição que as intempéries provocam no povo nordestino, Alisson ilustrou em seu discurso que a expansão do ensino superior para o sertão “é uma chuva que não pode parar de cair” e comemorou o fato de ter uma universidade pública a poucos minutos de casa. Segundo ele, se não houvesse um campus da UFC em Crateús, apenas uma pequena parcela dos atuais estudantes teriam condições de cursar a graduação em outro local. 

Propondo uma releitura da conhecida frase de Euclides da Cunha em Os sertões, ele disse que, agora, “o sertanejo é antes de tudo um forte que faz ciência”. E, ao defender enfaticamente o ensino superior público e gratuito, parafraseou Belchior para dizer que “a universidade é uma arma quente”. Nos próximos dias, Alisson segue para um novo desafio, após ser aprovado em um mestrado da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

DAQUI NÃO SAIO – Igor Claudino, por sua vez, não pretende sair de Crateús tão cedo. Concludente do Curso de Sistemas de Informação, ele vai “voltar” ao campus em breve, pois já foi aprovado recentemente no concurso para técnico de tecnologia da informação da unidade. Por uma dessas felizes ironias que a vida nos revela, vai trabalhar no mesmo setor onde há pouco tempo atuou como bolsista. “Vou continuar minha história aqui nessa cidade”, planeja. 

IMPACTO – Oradora docente da cerimônia, a Profª Maria Elias, diretora do Campus de Crateús, destacou que, embora tenha iniciado suas atividades em 2014, o impacto da UFC no município já pode ser visto. Como exemplo, citou o incremento no acesso ao ensino superior, a dinamização da economia e a inserção da população local em postos de trabalho direta e indiretamente relacionados ao campus.

Citando que seis dos sete formandos eram oriundos da escola pública, enfatizou que a política de assistência estudantil tem sido decisiva para a permanência dos alunos e o consequente fortalecimento da unidade. “Quero parabenizá-los e agradecer-lhes pelo muito que aprendemos com vocês”, concluiu.

O reitor Henry Campos reforçou o poder da unidade acadêmica como catalisador para um processo de avanço mais equânime no Ceará. Segundo ele, a ideia de gerar e difundir conhecimentos a partir do sertão de Crateús, em áreas vitais para o desenvolvimento da região, resultou em um projeto plenamente vitorioso.

“Externo minha alegria em retornar à cidade de Crateús, onde a UFC iniciou suas atividades, em 2014, inaugurando um rápido processo de crescimento”, pontuou, acrescentando que o núcleo pioneiro, constituído pelo Curso de Ciência da Computação, logo se desdobrou, com a oferta de mais quatro cursos de graduação: Engenharia Civil, Engenharia Ambiental, Sistemas de Informação e Engenharia de Minas, totalizando os cinco cursos hoje oferecidos.

Por fim, dirigindo-se diretamente aos formandos, o reitor demandou que eles exerçam com dignidade e ética a profissão que abraçaram e honrem o diploma conquistado em uma das melhores universidades do continente, conforme atestam os rankings. “Por fim, peço-lhes que assumam o compromisso de defender a universidade pública – autônoma, plural, gratuita, includente e de qualidade, comprometida com a reversão das desigualdades que tanto maculam nossa sociedade.”

O ciclo de colações de grau 2019.1 será concluído nesta sexta-feira (26), no Campus de Sobral.

(Com UFC)

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