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Pesquisa aponta que produto da cera da carnaúba pode reduzir coleterol e glicose

Os benefícios da carnaúba para a saúde humana e para o desenvolvimento socioeconômico do Estado foram destaque em audiência pública realizada na tarde desta quarta-feira (23/10), na Assembleia Legislativa. Durante o debate, foi apresentada a tese da pesquisadora Paula Rodrigues, da Universidade Estadual do Ceará (Uece), sobre o emprego de substância da cera de carnaúba na redução do colesterol e da glicose.

A pesquisadora Paula Rodrigues disse que já realiza pesquisas sobre a carnaúba há oito anos, e descobriu que existe um composto químico na cera da planta que tem uma ação na redução tanto de glicose como de colesterol alto, de acordo com os testes feitos até agora em animais.

Para a aplicabilidade desse composto químico encontrado na carnaúba, a ideia é incorporá-lo a alimentos, como azeite de oliva, óleo de soja, manteiga e margarina. A pesquisadora acrescentou ainda que, concluído os testes em animais, o próximo passo é testar o composto em humanos, o que deve ocorrer no final do ano ou no começo de 2020. “Mas, ainda vão ocorrer muitos testes antes do composto ser colocado no mercado, o que deve ocorrer somente em três ou cinco anos”, declarou.

O deputado Salmito (PT) disse que a pesquisa da professora Paula Rodrigues abre uma nova oportunidade de utilização da carnaúba. “A planta, que é nativa da região Nordeste, já foi o principal produto de exportação do Ceará e hoje ocupa o oitavo lugar na pauta de exportação do Estado, com 95% da cera produzida exportada para o exterior, sendo 30% para os Estados Unidos”, informa o parlamentar.

A pesquisa, segundo Salmito, também pode vir a dar uma importante contribuição para a saúde humana porque essa substância descoberta na carnaúba vai combater o colesterol ruim e a glicemia, os dois principais responsáveis por Acidente Vascular Cerebral (AVC) e Infartos no Miocárdio que são as maiores causas de mortes no mundo. Além disso, cria novas oportunidades no Interior, gerando emprego e renda.

“É uma forma de fortalecer o setor da carnaúba. Hoje, de toda a cera natural produzida no Brasil e exportada, 65% é do Piauí e 35% do Ceará. Com esse composto químico descoberto, nós podemos agregar ainda mais valor à carnaúba”, ressaltou.

De acordo com o deputado Romeu Aldigueri (PDT), tudo da carnaúba se aproveita, por essa razão, ela é chamada de árvore da vida. ”A carnaúba é muito importante para um Estado tão pobre como o Ceará, cheio de desigualdades sociais”, afirmou. Segundo ele, a carnaúba está presente hoje em todo tipo de tecnologia do planeta e a pesquisa da Uece, da professora Paula Rodrigues, vai trazer mais valor agregado a planta.

O deputado Nelinho (PDSB) também acredita que a pesquisa vai contribuir para a geração de emprego e renda no Estado. “Essa pesquisa, além de trabalhar a questão da saúde no combate ao colesterol ruim e glicemia, também vai contribuir para a de geração de mais emprego no interior”, afirmou.

Para Edgar Gadelha, presidente do SindiCarnaúba e da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Carnaúba, toda inovação tecnológica é positiva para o setor, tendo em vista que a cera da carnaúba é utilizada há mais de 150 anos. Hoje ela está nas indústrias farmacêuticas, de cosméticos, alimentícias, eletroeletrônicas, química, onde entra em pequenas quantidades na formulação de diversos produtos. “Uma nova pesquisa como essa, que pode trazer uma nova utilização do produto, é muito positiva para o setor”, pontuou.

Durante o debate, foi proposta a criação de um grupo de trabalho na Assembleia Legislativa para identificar as potencialidades no semiárido cearense e construir um programa para a região. O grupo deverá contar com a participação de representantes das secretarias de Desenvolvimento Agrário (SDA), de Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece), de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho (Sedet), além da Agência de Desenvolvimento do Estado (Adece), Federação da Agricultura e Pecuária (Faec) e Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC).

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