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Pefoce identifica bebidas falsificadas com componentes que podem causar riscos à saúde

Com a chegada das festas e confraternizações de final de ano que, geralmente, costumam ter aperitivos com bebidas alcoólicas, criminosos aproveitam o período para lucrar com o comércio de bebidas adulteradas. Nesta atividade ilícita, vodcas e uísques importados de marcas famosas têm o seu conteúdo forjado com diluições e com misturas de bebidas de valor inferior. Outros fatores contaminantes também são encontrados devido à falta do controle de qualidade, pois são manipulados sem a higiene adequada. Para detectar tais falsificações, o Núcleo de Química Forense (NUQFO) da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) entra em ação com a utilização de equipamentos de última geração.

Recém-adquirido pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o equipamento portátil Espectrómetro Raman é capaz de identificar os componentes das substâncias químicas analisadas pelo NUQFO, tais como bebidas alcoólicas, combustíveis, drogas, explosivos, entre outros. A análise rápida realizada pelo Raman funciona através de raio laser e proporciona aos peritos criminais uma grande economia de tempo na identificação das substâncias que são analisadas em locais de ocorrências.

Já no laboratório, o NUQFO conta com outro equipamento sofisticado para análises: o Espectrofotômetro UV-Visível. Instalado no Núcleo de Química da Pefoce neste último semestre, o aparelho faz análises mais detalhadas das substâncias periciadas. Através dele, na perícia de bebidas, por exemplo, é possível descobrir as características da amostra padrão (bebida original) e comparar com as características da amostra questionada (bebida adulterada). O equipamento faz a comparação das duas amostras e apresenta dados e estatísticas que são analisadas pelos peritos.

De acordo com o perito criminal, Túlio Oliveira, que é químico industrial e supervisor do NUQFO, a perícia em bebidas questionadas revela que as amostras apresentam fórmulas e substâncias que não estão em conformidade com o padrão estabelecido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), inclusive, alguns casos apresentam substâncias altamente prejudiciais à saúde. “Já constatamos bebidas com o teor alcoólico acima do permitido pela Anvisa e amostras contendo metanol, que é um álcool tóxico que pode causar falta de ar, convulsões, cegueira e outros problemas de saúde. Também encontramos diversos contaminantes provenientes da prática de adulteração e falsificação destas bebidas”, revela.

Conforme o supervisor do núcleo, os falsificadores usam vários métodos na adulteração, eles diluem a bebida original com substâncias e corantes para simular a cor original do produto e alteram o teor alcoólico das bebidas. Também é comum realizarem a troca de bebidas e de rótulos não apenas de vodca e uísque, fazem adulterações em cervejas também. “Já analisamos cervejas que estavam com rótulos falsos em embalagens de marcas diferentes, bebidas de menor valor com rótulos de bebidas de valores mais elevados”, explica.

Para perceber indícios de falsificação, os peritos da Pefoce orientam os consumidores a se atentarem a alguns sinais nos produtos: Se o rótulo ou garrafa estão manchados de cola, se a coloração da bebida estiver diferente – mais clara ou mais escura -, e se dentro da garrafa contiver “particulados”, que são pequenas partículas de substâncias dentro da bebida. Devem também observar a qualidade da impressão dos rótulos e o selo que fica no lacre, pois o selo original possui propriedades ultravioleta diferentemente do selo falso, que é mais simples. Por fim, o mais importante: o valor. Se a bebida for oferecida com valor muito abaixo do valor comercial, o consumidor pode estar levando para casa um produto adulterado e que pode causar riscos à saúde. Na dúvida, não compre o produto e comunique o caso imediatamente às autoridades policiais.

Apreensões

No final do mês passado, em novembro, a Polícia Militar do Ceará (PMCE) realizou a prisão de dois homens que mantinham um laboratório clandestino de bebidas alcoólicas na residência de um deles, situada no bairro Cidade dos Funcionários, em Fortaleza. A prática criminosa também ocorre no Interior do Estado. No mês de julho deste ano, a PMCE efetuou a prisão de um casal na cidade de Barbalha também pela fabricação clandestina de bebidas adulteradas. Estes e outros casos foram encaminhados para a Pefoce e ficaram constatadas as falsificações nas bebidas.

NUQFO

Além das perícias em bebidas, o NUQFO analisa combustíveis, perfumes, explosivos, falsificação de cigarros, exames residuográficos e análise de metais, como ouro, por exemplo. Os peritos também vão em locais de crimes realizar a aplicação da substância química ‘Luminol’, que revela a presença de sangue mesmo que o local tenha sido higienizado. Esta perícia evidencia que houve violência no local examinado, sendo um forte apoio nas investigações.

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