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Interior do Ceará mais que dobra número de leitos de UTI

No fim do mês de março, o interior do Ceará registrava apenas sete casos confirmados da Covid-19. Na época, nos municípios fora da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), existiam aproximadamente 80 leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) na rede pública, exclusivos para os casos graves da doença.

Passados 45 dias, este número mais que dobrou, chegando a 163 leitos adulto, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa). Além disso, há 980 leitos de enfermaria.

Ainda que apenas cerca de 4 mil casos, dentre os 16.529 confirmados no Ceará, estejam no interior do Estado, a preocupação de um colapso no sistema de saúde fez com que prédios fossem readequados, hospitais de campanha construídos, além de criadas unidades sentinela de apoio.

O Governo do Estado também ampliou o número de leitos nos hospitais regionais e equipou hospitais-polo em cidades estratégicas como Itapipoca, Crateús, Tauá, Iguatu, Tianguá e Icó, que antes da pandemia não contavam com UTI’s.

A expectativa, segundo o secretário da Saúde do Estado, Carlos Roberto Martins, o Dr. Cabeto, é que este número se amplie com a chegada de 200 respiradores mecânicos enviados da China ontem (10).

Ocupação

Porém, mesmo com o aumento do número de leitos, a taxa de ocupação já é alta e preocupa nos hospitais-polos. A situação mais confortável é do Hospital Regional do Cariri (HRC), em Juazeiro do Norte, que atingiu uma ocupação de 74,3% de seus leitos de enfermaria e UTI.

No Regional do Sertão Central (HRSC), em Quixeramobim, tanto os leitos de enfermaria quanto de UTI atingiram 100%.

No Hospital Regional Norte (HRN), em Sobral, os leitos de enfermaria também estão ocupados em sua totalidade e, na UTI, a taxa é de 77,8%. O problema é que o Município tem o maior número de casos confirmados no interior do Estado (270).

Como agravante, a cobertura da unidade vai para além de Sobral. O HRN é referência para casos graves da Covid-19 para 55 municípios, que somados dá uma população estimada de 1,6 milhão.

Ampliação

Para tentar oxigenar esse atendimentos, os leitos de UTI passaram de 20 para 27, além da existência de seis UTI’s pediátricas para pacientes sintomáticos respiratórios. A Secretaria da Saúde de Sobral, também assumiu em março, o controle do hospital filantrópico Dr. Estevam, abrindo, até então, 18 leitos de enfermaria para pacientes com Covid-19. De lá para cá, o número foi ampliado para 21.

“A perspectiva é que seja dobrado, chegando a 42”, explica Marcos Aguiar Ribeiro, coordenador de Vigilância do Sistema de Saúde do Município e diretor do Hospital. O equipamento funciona como uma “retaguarda” ao HRN.

Além disso, o poder público municipal requisitou um prédio que estava fechado, há cinco anos, onde funcionava uma clínica particular. Com três pavimentos, o local está sendo adaptado para ser um novo hospital, batizado de Hospital Dr. Francisco Alves.

A expectativa era que fosse entregue ainda no último mês de abril, o que não aconteceu. Nele, serão 51 leitos e, destes, 12 de UTI. “A equipe de profissionais está passando por capacitação. A perspectiva é que a abertura aconteça ao longo da próxima semana”, antecipa Marcos.

Mesmo com estas ações, o coordenador acredita que o número de leitos não é suficiente, mas a ampliação em outros municípios pode desafogar essa demanda. “Crateús conseguiu estruturar uma UTI. Temos outras em Tianguá que vai facilitar para a Serra da Ibiapaba”, exemplifica.

Em Itapipoca, outro Município referenciado por Sobral, o secretário Cabeto informou, na última quinta-feira (7), que deve ter ampliado de 10 para 20 vagas de emergência. Também houve expansão em Quixadá, cidade que conta com 91 casos. A Secretaria da Saúde do município criou uma unidade exclusiva para os pacientes com Covid-19 com capacidade de até 15 leitos. Destes, três contam com respiradores. “Solicitamos mais seis do Estado”, antecipa a secretária Juliana Capistrano.

“Hoje, (a ampliação de leitos) já é urgência, porque quando aumenta os casos, aumentará os pacientes graves. Não tem jeito”, preocupa-se. De 23 bairros da cidade, 18 já registram pessoas infectadas.

Em Juazeiro do Norte, cidade que sedia o Hospital Regional do Cariri, referência para a população de 1,5 milhão de pessoas em 44 municípios do Cariri e Centro-Sul, inicialmente foram criados 60 leitos exclusivos para Covid-19, sendo 19 de UTI. Mas, este número também foi ampliado.

Segundo a diretora do Hospital, Demostênia Coelho, hoje são 35 leitos de UTI. “Esperamos chegar até 60 leitos exclusivos de UTI para a Covid-19”, antecipa. Até agora, ela considera que o equipamento está numa situação “confortável”. “Mas não podemos relaxar, achar que está tudo bem”, pondera. Ainda há outros 25 leitos para pacientes graves com outras patologias.

Paralelo a isso, a Secretaria da Saúde de Juazeiro do Norte está concluindo a readequação do prédio da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), do bairro Lagoa Seca para atender até 30 pacientes com novo coronavírus, incluindo 10 em estado grave.

“Está no processo final para selecionar a empresa que vai administrar a estrutura”, explica o secretário Lucimilton Macêdo. O Município também contará com um hospital de campanha, que será instalado no Ginásio Poliesportivo. Lá, serão 88 leitos. “A construção deve ser efetuada em dez dias”, estima Lucimilton.

No município de Iguatu, que não contava com leitos públicos de UTI até o último dia 24, agora passa a dispor de leitos credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). São seis disponíveis no Hospital São Vicente, mas a meta, segundo o secretário da Saúde, Georgy Xavier, é chegar a dez. “O hospital aguarda a chegada de equipamentos”, explica.

A taxa de ocupação no São Vicente é de 66,6%, ou seja, quatro dos seis leitos estão ocupados. Ele recebe pacientes de Iguatu e demais municípios do Centro-Sul e da região dos Inhamuns. No Hospital Regional de Iguatu, onde o público é municipal, espera-se que até o fim deste mês sejam instalados mais 10 leitos de UTI exclusivos para Covid.

(Diário do Nordeste)

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