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Ceará tem 49 espécies de abelhas sem ferrão, mostra pesquisa inédita de aluno da UFC

Uma inédita pesquisa, desenvolvida pelo aluno de doutorado em Zootecnia da UFC, Jânio Ângelo Felix, orientada pelo professor doutor Breno Magalhães Freitas, acaba de descobrir algo que interessará bastante aos empresários do agronegócio do Ceará, principalmente aos da fruticultura.

Há, nas diferentes regiões cearenses, 49 espécies de meliponíneos, as abelhas sem ferrão que fazem parte de um grupo que não consegue ferroar. Por esta razão, e por produzirem um mel delicado e saboroso, elas sempre foram valorizadas pelo produtor rural.

Embora esteja hoje mais organizada no Ceará, a meliponicultura, que é como se chama a criação racional dessas abelhas, ainda carece de mais informações técnicas a seu respeito, e a pesquisa que sustenta a tese de doutorado de Jânio Ângelo Félix chega no momento em que a produção de frutas aqui cresce em alta velocidade.

“Sem abelhas não há polinização. Sem polinização, não se produzem frutas”, lembra o empresário Tom Prado, CEO e sócio da Itaueira Agropecuária, que produz melão, melancia, uva sem semente, suco de frutas, pimentão colorido e… mel de abelha. Sua empresa tem cerca de 8 mil colmeias.

Prado ficou positivamente impressionado com a pesquisa, que é o primeiro levantamento abrangente mostrando espécies de abelhas sem ferrão em todo o estado do Ceará, considerando inclusive as formações vegetais e o relevo onde elas habitam.

A pesquisa é tão importante, que levou à revisão da lista de espécies conhecidas no estado, cujo número de espécies saltou de 29 para 49, o que revela que o Ceará é muito mais rico e diverso em abelhas do que se sabia até agora.

Além disso, a pesquisa constatou que a distribuição natural das espécies de abelha sem ferrão não é homogênea e está fortemente ligada às condições do meio ambiente e do tipo de vegetação, permitindo indicar quais espécies são mais adequadas à criação em cada região do estado, diminuindo os riscos de insucesso no criatório e orientando a transferência de espécies entre os diferentes ecossistemas e as consequências disso (não adaptação das espécies, hibridização com espécies locais, transmissão de doenças novas etc).

A pesquisa também indicou as espécies raras e atualmente ameaçadas, demonstrando a necessidade de esforços para a sua conversação e exploração sustentável em seus habitats por meio da meliponicultura.

As informações levantadas pela pesquisa já foram atualizadas na lista de abelhas que consta do Inventário de Invertebrados do Ceará lançado semana passada pela Secretaria de Meio Ambiente do estado.

As abelhas sem ferrão são fundamentais para a polinização de espécies de plantas nativas e cultivadas, mas a destruição das matas (seu habitat natural), as mudanças climáticas, o uso inadequado de defensivos agrícolas, dentre outras causas, estão ameaçando a sobrevivência de muitas espécies de abelhas.

(Redação do Blog Por Egídio Serpa)

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