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Ceará atinge 44,3% da população vivendo na pobreza

É o que revela levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ibre). O estudo constatou que nada menos que 24 das 27 unidades federativas brasileiras apresentaram aumento na parcela da população classificada como pobre, no período. Apenas o Acre apresentou ligeira redução nos indicadores de pobreza. Tocantins e Pará, por sua vez, mantiveram os índices pré-pandêmicos.

As pioras mais acentuadas no quadro de empobrecimento generalizado que atingiu o País foram registradas no Distrito Federal (7,9 pontos percentuais), no Rio de Janeiro (6,9 pontos percentuais), em Mato Grosso e Roraima (ambos com 6,4 pontos percentuais), além de São Paulo e Goiás, que tiveram incremento de 5,9 pontos percentuais na parcela da população vivendo na pobreza.

Para o autor do estudo, o pesquisador da FGV-IBre, Daniel Duque, o fato de estados do Sudeste e do Centro-Oeste figurarem entre as primeiras posições no ranking de empobrecimento pós-pandemia está relacionada ao fato de não haver nessas regiões “uma grande participação de programas sociais como o Bolsa Família, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), entre outros, de modo que a renda do trabalho é a principal fonte de renda. Com a pandemia, o mercado de trabalho foi fortemente afetado e essas famílias não têm um colchão de proteção social”.

No Ceará, por sua vez, o aumento da parcela da população classificada como pobre foi de 2,8 pontos percentuais. Embora o impacto da crise sanitária tenha sido menor que em outros 17 estados, a quantidade elevada de pessoas que já vivia na pobreza anteriormente agravou o quadro histórico de desigualdade social e dificuldades econômicas. Segundo o economista Alex Araújo, uma característica da economia cearense e nordestina, de um modo geral, que contribuiu com a queda na renda foi “o alto nível de atividade informal, que depende exatamente da circulação de pessoas e a pandemia a afetou duramente”.

Ele observa que “esse processo de empobrecimento no Ceará foi amenizado pelo próprio pagamento do auxílio emergencial, entre os meses de abril e dezembro do ano passado. E isso, de certa forma, monetizou e deu um poder de compra para essas pessoas”. O economista acrescenta que “o próprio fato do auxílio emergencial ter evitado uma elevação ainda maior nos indicadores de pobreza trouxe de volta o debate sobre a necessidade de se criar um programa de renda mínima que avance em relação ao Bolsa Família ou ao Auxílio Brasil”.

A pesquisa, realizada a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua e da Pnad Covid 19, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também apontou um avanço na extrema pobreza em 18 das 27 unidades da federação. Segundo o Banco Mundial, é extremamente pobre quem vive com cerca de R$ 160 por mês.

No Brasil, a pobreza avançou de 25,2% em janeiro de 2019 para 29,5% em janeiro de 2021. Já a extrema pobreza passou de 6,1% para 9,6%, no período analisado.

(O POVO)

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