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Produtor busca inovação para incremento da renda na pecuária e cultura do caju

Num passado não tão distante, a maioria dos produtores rurais levantavam na madrugada para tirar o leite da vaca. Ainda hoje, alguns preferem manter essa tradição, mas o agricultor familiar José dos Santos Saraiva, 47, filho de Morada Nova, já vem pensando em tornar essa realidade história do passado.

Na sua propriedade, o termo inovar, se modernizar, vem rondando sua cabeça há algum tempo e, aos poucos, ele vem entendendo que dificilmente terá como resistir a essa evolução. Ao invés de levantar às 3h da manhã como vem fazendo há vários anos, José percebeu que é possível ter uma produção melhor de leite e em menos tempo, que poderá ser dedicado a cuidar de outras produções e culturas da sua propriedade, no município de Morada Nova, a 182 quilômetros de Fortaleza.

Acompanhados por uma equipe da Ematerce, a equipe de reportagem da assessoria de comunicação que produz a série Novos Sertões, conferiu como a tecnologia e a inovação podem garantir maior sustentabilidade e produtiva em áreas, às vezes, sub aproveitadas. Beneficiário do Pimp (Programa de Irrigação em Minha Propriedade), José dos Santos utiliza o sistema de irrigação em sua plantação de feijão, de cerca de 1,2 hectare, na localidade Tapera.

A visita, realizada no último dia 29 de setembro, foi guiada pelo produtor com a participação do diretor da Ematerce técnico Itamar Lemos, agente rural Gerliane Gomes e Edilmar, Nizomar Falcão, engenheiro agrônomo do Geat (Gerência de Apoio Técnico), e os gerentes locais de Morada Nova e Russas Francisco Elói Marques e Tarcísio Paiva. Atualmente, o produtor comercializa seu principal produto, o caju, na feira e mercado locais, mas ainda não aproveita uma das partes mais cobiçadas no comércio, a castanha. Também, ainda, pode melhorar o produto e, consequentemente, o preço que consegue vender.

Mesmo assim, segundo técnicos da Ematerce que acompanham seu trabalho, José dos Santos vem fazendo uma ótima experiência de aproveitamento do solo, aração para o plantio das mudas de caju e espaçamento. “Tô muito feliz com esse apoio que recebo da Ematerce, do pulverizador para o combate às pragas até a orientação dos técnicos. Isso valoriza demais nosso esforço”, destaca José, que também é assistido no Programa Hora de Plantar, de distribuição de sementes, atendido por dois anos consecutivos com mais de 2.180 mudas de cajueiro, além do sistema de irrigação do Pimp.

Sonho

Cadastrado pelo Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) tipo B, José dos Santos ainda não está familiarizado com o sistema de financiamento e crédito bancário, mas depois da visita dos técnicos, se comprometeu a estudar as oportunidades para incrementar sua renda e aperfeiçoar sua produção de caju da espécie anão precoce e gigante.

“Com a estrutura que você já tem aqui, tem todos os caminhos e chances para crescer e melhorar ainda mais seus resultados. A ordenha mecânica, por exemplo, é uma realidade para os pequenos e médios produtores e você pode se beneficiar dessa tecnologia e poder dá mais atenção ao gerenciamento de sua propriedade”, explicou Itamar Lemos.

Para José dos Santos, seus três principais sonhos são ter um poço profundo, um estábulo para os bovinos e uma capineira, que ajudará na alimentação animal, no Sítio Barreiro, uma área de 50 hectares. Essa alimentação animal, inclusive, já é feita com silagem, sob orientação da Ematerce, além do uso da bagana de carnaúba para adubação do solo. A propriedade conta atualmente com 70 ovinos e caprinos, 15 bovinos e um pequeno rebanho de suíno.

Renovação e inovação

Segundo o diretor técnico Itamar Lemos, a visita ao agricultor familiar José dos Santos trouxe para os que fazem a Ematerce a certeza de que a pequena irrigação se constitui sem dúvida uma forte alternativa para a melhoria da qualidade de vida no meio rural, com a geração de ocupação e renda. Isso reforça e ratifica a engenhosidade do Pimp, do Governo do Ceará, coordenado pela Secretaria do Desenvolvimento Agrário- SDA e executado pela Ematerce.

“Após viajarmos por cerca de 25 quilômetros pela Caatinga, chegando à área do produtor rural José dos Santos, atendida este ano com o sistema de irrigação, constatamos a satisfação do agricultor familiar, pois instalará o sistema em março e produziu no primeiro plantio, com a orientação da Ematerce. Além do uso, também sob nossa orientação, do sorgo forrageiro, das sementes recebidas pelo Hora de Plantar, que transformou em silagem, para a alimentação de seu pequeno rebanho bovino na estação seca”, destacou Itamar.

Em seguida, lembrou Itamar, a equipe constatou uma nova exploração, desta feita com a cultura do feijão, em aproximadamente 1,2 hectare, assistida pela Ematerce, e implantada com a ajuda de seu filho Felipe, 17 anos, que se encontra em lindo estágio de desenvolvimento, caminhando para a entrar em florescimento. O produtor estima uma produção de 25 a 30 sacos de 60 kg.

Nessa perspectiva, o produtor iniciará a discussão com a Ematerce de um novo projeto, com recursos do Pronaf Mais Alimentos, com a intenção de construir um poço profundo, um pequeno estábulo para suas vacas, ordenhadeira mecânica e implantação de um hectare de capineira para aumento e melhoria da oferta de alimentos para seu rebanho no período seco.

A diretoria da Ematerce ainda se comprometeu, para o mês de dezembro, em promover para no sítio do produtor e vizinhança, uma capacitação para condução de seus cajueiros anão precoce e a substituição de copas nos cajueiros improdutivos.

Pimp

O Programa de Irrigação na Minha Propriedade (PIMP), concebido pela Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) do Ceará em 2016 e executado pela Ematerce, visa atender agricultores familiares, com o objetivo precípuo de atender as necessidades de segurança alimentar e nutricional das famílias.

De acordo com o coordenador do Pimp na Ematerce, Nizomar Falcão, os excedentes de produção são comercializados nos mercados convencionais e institucionais. São produtos cultivados dentro de critérios rígidos de controle de insumos químico na perspectiva da filosofia de transição agroecológica.Os beneficiários que se enquadram nos critérios estabelecidos pelo programa pagam 50% do valor dos equipamentos de irrigação após dois anos de carência em cinco parcelas iguais e sem correção monetária.

O programa atende todos os municípios do Ceará e o ponto de partida para ter acesso aos equipamentos é a obtenção do outorga de uso dos recursos hídricos, fornecido pela Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH). Já foram atendidos, com projetos, mais de 600 agricultores cearenses, com tecnologias avançadas de conservação da água.

Um dos desafios do programa, além de aumentar a eficiência da água com aumento da produtividade, é proporcionar conforto aos trabalhadores, fixando os equipamentos e automatizando os processos. O programa fornece todos os equipamentos necessários para um bom funcionamento de um projeto de irrigação, desde a moto-bomba até os emissores de jatos de água localizados. O custo do equipamento para instalação de um hectare é de aproximadamente R$ 10 mil, variando em função das condições topográficas e distância da fonte de água. O agricultor paga apenas metade desse valor.

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