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Ceará reforça ações para prevenção da gravidez na adolescência

No Ceará, a prevenção da gravidez não planejada é destaque nas políticas públicas de saúde reprodutiva, com o objetivo de reduzir a mortalidade materna e infantil neonatal, bem como a taxa de gravidez não planejada nas adolescentes. A Secretaria da Saúde desenvolveu estratégias para melhoria dos indicadores, como o Programa Nascer no Ceará, que objetiva a redução da mortalidade materna e perinatal, cujos indicadores são impactados pela gravidez não planejada na adolescência, e o Projeto de Planejamento Reprodutivo com Implantes Subdérmicos para mulheres em situação de risco social, que inclui adolescentes em situação de rua, dependentes químicas e em situação de privação de liberdade.

Na Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, instituída este ano com o objetivo de disseminar informações sobre medidas preventivas e educativas que contribuam para a redução da incidência da gravidez na adolescência, o Comitê Interinstitucional de Prevenção à Gravidez na Adolescência lançou na manhã de sexta-feira, 1º de fevereiro, o Programa Viva seu Tempo, iniciativa que integra o Ministério Público do Ceará (MPCE), Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC), Universidade Federal do Ceará (UFC), Instituto Primeira Infância (IPREDE) e secretarias da Educação e da Saúde do Estado do Ceará e de Fortaleza. O programa busca alinhar ações para otimizar recursos e garantir maior eficácia nos resultados, com repercussão na Saúde, na Educação e na Segurança Pública.

A Lei Nº 13.798, de 3 de janeiro de 2019, prevê que a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência seja realizada anualmente. A Sesa ressalta a importância de dar visibilidade ao tema em todos os 184 municípios cearenses, mobilizar a Estratégia Saúde da Família (ESF) com ações da Saúde e da Educação; realizar atividades com adolescentes e promover o uso dos preservativos masculino e feminino. Incentivo ao planejamento reprodutivo para as adolescentes; realização de busca ativa através do Agentes Comunitários de Saúde (ACS) das adolescentes grávidas para consulta e ao encaminhamento das adolescentes grávidas no Programa Nascer no Ceará são outras ações orientadas.

Riscos à saúde

A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza como adolescentes pessoas de 10 a 19 anos. Além do impacto emocional provocado, a gravidez na adolescência representa riscos tanto à saúde da gestante quanto à do bebê. Quando a gravidez ocorre na adolescência, são maiores os riscos de nascimentos prematuros e de recém-nascidos com baixo peso. Se a gravidez não é planejada, pode desestruturar a vida da mulher em um período determinante para sua formação. Ao engravidar, voluntária ou involuntariamente, essas adolescentes têm seus projetos de vida alterados, o que pode contribuir para o abandono escolar e perpetuação do ciclo de pobreza, desigualdade e exclusão.

“O Programa Nascer no Ceará atinge todo o Estado e um dos objetivos é o planejamento reprodutivo para gestantes de risco, dentre elas, o público adolescente também está incluído”, explica a supervisora do Núcleo de Atenção à Saúde da Mulher, Adolescente e Criança (NUSMAC) da Sesa, Silvana Napoleão. “O planejamento reprodutivo vai ser implantado de forma descentralizada nas policlínicas, nas regiões de saúde, e para isso a Sociedade Cearense de Ginecologia e Obstetrícia já capacitou os profissionais de quatro macrorregiões na inserção desses métodos contraceptivos, como DIU Mirena, DIU de cobre e os implantes subdérmicos do Implanon”, adianta ela, acrescentando que o Estado pactuou no Plano Estadual de Saúde redução de 5% na taxa de gravidez na adolescência em 2019.

Mesmo com redução das taxas de gravidez na adolescência, o número de gestações nesse período de vida ainda é alto no Ceará. Entre 2014 a 2018, a taxa de gravidez na adolescência no Estado diminuiu de 33,1 para 25,3 nascidos vivos por mil mulheres de 10 a 19 anos. A proporção de gravidez de adolescentes na faixa etária de 10 a 19 anos também diminuiu em igual período, de 20,7% para 16,4% dos nascidos vivos.

Mãe aos 15 anos

Natasha (nome fictício), de Tamboril, a 150 km de Sobral, na zona norte do Ceará, foi mãe com apenas 15 anos. A adolescente conta que conhecia métodos anticoncepcionais como a camisinha e os anticoncepcionais via oral e usava pílula, mas esqueceu a medicação em um dos dias. “Foi de surpresa. Eu ainda nem pensava ser mãe. Minha menstruação estava atrasada, fiz um teste de farmácia e depois fui ao posto de saúde”, conta. A reação do namorado, de 22 anos, foi de alegria, segundo ela. Os avós, com quem mora, também aceitaram bem. “Já estava feito, né? Eles aceitaram sim”.

Apesar de ter feito pré-natal no posto de saúde próximo de sua casa, Natasha teve um parto de risco e o bebê nasceu prematuro com 25 semanas de gestação. Após o parto normal em Tamboril, Natasha foi socorrida com o bebê para o Hospital Regional Norte, da rede do Governo do Ceará, onde a criança segue internada na UTI. A adolescente, que concluiu o 7º ano do Ensino Fundamental no ano passado, diz que vai precisar ficar este ano sem estudar para acompanhar o filho e para amamentar com mais tranquilidade. No entanto, ela tem muitos planos para o futuro. “Quero terminar meus estudos e quero ser advogada”, diz. A adolescente garante que vai se prevenir de uma futura gravidez e que não pretende ser mãe novamente.

(Com Sesa)

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